Representantes da saúde discutem ações de enfrentamento às arboviroses

Por Jean 09/04/2019 - 11:18 hs


Servidores da Coordenadoria de Controle de Endemias Vetoriais (CCEV) da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (SESAU) estarão reunidos até esta quarta-feira com  profissionais do Projeto ArboAlvo, liderado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc), discutindo ações de enfrentamento às arboviroses.

Existem 545 espécies de arbovírus, sendo que 150 delas causam doenças em seres humanos. Apesar de a classificação arbovirose ser utilizada para classificar diversos tipos de vírus, como o mayaro, meningite e as encefalites virais, hoje a expressão tem sido mais usada para designar as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como o Zika vírus, febre chikungunya, dengue e febre amarela.

O encontro teve início com a apresentação e discussão da proposta metodológica desenvolvida pelo projeto na segunda-feira, onde na ocasião a superintende de Vigilância em Saúde da SESAU, Veruska Lahdo, destacou a importância da parceria no desenvolvimento de estratégias mais eficazes no enfrentamento das doenças causadas, em especial, pelo mosquito Aedes aegypti.

“Desta forma temos condições mais favoráveis para atuarmos de maneira mais objetiva  e técnica, otimizando recursos e tornando as ações mais resolutivas”, completou.

A pesquisadora  e coordenadora do Projeto Arbo Alvo, Nildimar Honório, do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC/Fiocruz, reforça que a  iniciativa busca o desenvolvimento de uma metodologia para estratificação do território em áreas de risco de transmissão dos vírus dengue, zika e chikungunya, com base em parâmetros epidemiológicos, entomológicos, ambientais e sociodemográficos em cidades endêmicas para essas arboviroses

“A proposta é dar subsídios para que os municípios possam trabalhar com as informações obtidas através deste trabalho de estratificação e que as ações ser conduzidas com base nos pontos mais críticos”, disse.

Para o estudo, além de Campo Grande, foram selecionadas outras três capitais: Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Natal (RN).

Transmissão

As arboviroses são sempre causadas por vírus cujo principal transmissor é um artrópode. O vírus da arbovirose é adquirido pelo vetor através do contato com um ser humano ou com um animal contaminado e é transmitido às pessoas durante a picada. Porém, dependendo da arbovirose, ela pode ter outras formas de transmissão secundária. Existem alguns relatos de arboviroses que se transmitem por transfusão sanguínea e vertical, de acordo com o Ministério da Saúde.

Projeto ArboAlvo

A iniciativa é fruto de demanda da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS) e integra a rede internacional de pesquisa Dentarget, composta por cientistas, profissionais e gestores de diferentes países que se dedicam à busca por métodos alternativos para a prevenção e o controle da dengue e outras arboviroses, em especial na América Latina.

O Projeto ArboAlvo é financiado pelo Ministério da Saúde e conta com a participação de pesquisadores do IOC, Procc, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), Instituto René Rachou (Fiocruz Minas), da UFRJ e de profissionais dos quatro municípios envolvidos no projeto. Os pesquisadores Paulo Chagastelles Sabroza, da Ensp/Fiocruz, e Christovam Barcellos, do Icict/Fiocruz, atuam como consultores científicos do projeto. A estratégia prevê, ainda, o desenvolvimento de ações de educação, informação e comunicação que ampliem a formação de profissionais de saúde para o direcionamento de ações de controle mais efetivas.

Sesau